ÂmbitoProposta de âmbito geral
FreguesiaMarinha das Ondas
ProponenteTiago Marques Ramalho
Data Submissão:29-07-2019
A incapacidade de distinguir a medicina da pseudociência, de aceder à informação de forma responsável e fiável, bem como a capacidade de compreensão dessa mesma informação, são processos determinantes do nível de literacia e do desconhecimento de uma população. Quando falamos de saúde, este nível pode conduzir a implicações graves nos resultados e nos gastos em saúde. O Plano de Ação para a Literacia em Saúde, lançado pela DGS para o triénio 2019-21, coloca nos seus objetivos a adoção de estilos de vida saudáveis, a capacitação para um uso adequado do sistema de saúde, a promoção do bem-estar e a promoção do conhecimento e investigação. A sua estratégia parte das estruturas e dos profissionais de saúde, sobretudo, para a população que os consulta.
No entanto, quando, em Portugal, cinco em cada dez pessoas têm níveis reduzidos de literacia em saúde e apenas 8,6% apresentam um nível excelente, a dotação de conhecimento e de ferramentas para promover o bem-estar e dar conhecimento e valências para lidar com a saúde deve ter também um cunho mais próximo – e, consequentemente, autárquico, sendo a capacitação dos cidadãos um dos deveres da política.
Assim, a proposta que submeto procura – em dois níveis distintos – incutir uma maior literacia em dois grupos de populações através do uso e do conhecimento. O primeiro nível pretende dotar os mais jovens de ferramentas para combater a desinformação e capacitá-los para a saúde através das escolas. O segundo nível, direcionado para a população reformada, apostaria nos sistemas de proximidade que começam a ser testados em Portugal (exemplo do P5, um programa de saúde próxima e digital através da Escola de Medicina da Universidade do Minho), por forma a dar mais conhecimento, mas também mais autonomia, ao mesmo tempo que se cria um maior acompanhamento da situação da terceira idade no concelho.
1. Pela tua saúde
Público-alvo: 3.º ciclo e Ensino Secundário
Local: Escola selecionada [através de proposta ou indicação]
Através da articulação entre as escolas do concelho e uma equipa de comunicadores de ciência e de saúde (através, por exemplo, de instituições como a Universidade de Coimbra ou os Hospitais do distrito), a literacia em saúde pode ser incentivada junto de alunos mais novos que já detenham algum conhecimento académico e tenham também interesse e capacidade de levar essa literacia para casa.
Assim, seria criado um plano [cronograma anexo] onde ao longo do ano seriam desenvolvidas várias ações acerca de informação, nutrição, ciência e de conhecimento em saúde. A criação de maiores competências permitiria ter uma população jovem mais capaz no momento e uma população adulta futura menos permeável a condutas erradas ou má gestão no que toca à saúde.
2. Mais saúde, mais próxima
Público-alvo: Idosos
Local: Casa de cada agregado de freguesia selecionada [através de proposta ou indicação]
O isolamento e alguma falta de conhecimento da população mais idosa são tópicos correntes em Portugal, e com os quais nos debatemos há vários anos. No entanto, para uma melhor informação sobre saúde é também necessário que a mesma seja mais próxima. As vantagens da proximidade, além de um maior comodismo dos idosos no contacto com o seu centro de saúde, espelham-se num combate ao isolamento através do acompanhamento regular, mas também pela possibilidade de criar uma população mais informada e mais autónoma.
Deste modo, o projeto prevê, a partir de uma zona piloto, um modelo baseado em três pilares: informação, autonomia e comunicação. O formato a instaurar pretende numa primeira fase criar uma base de transmissão de conhecimento básico, bem como de criação de hábitos saudáveis e promoção do bem-estar físico e psicológico, através de voluntários e com a supervisão de profissionais de saúde. A partir deste conhecimento será possível fornecer uma maior autonomia, providenciando ferramentas para que possam medir a tensão arterial ou os diabetes. Isto permite, através da posterior comunicação ao médico geral e familiar, uma menor dispensa de tempo dos médicos e uma maior autonomia e consciencialização dos idosos.